PONTO URBE - Revista do Núcleo de Antropologia Urbana da USP- ISSN 1981-3341Ano 3 versão 4.0, julho de 2009
  

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 


 
 Cir-kula
 
 
 
[...] acabou de desfigurar o carnaval. Não que eu seja purista, mas você vai assistir o desfile de uma escola de samba [na televisão] eles pegam metade da coreografia da Comissão de Frente e daí... Mulher pelada. [o que segundo ele havia muito pouco antes do início das transmissões] E também não tinha artista. Aliás, tinha. Nós éramos os artistas. A gente perdeu essa condição. Nós não somos mais, somos apenas coadjuvantes. Não sei se você sabe que esse negócio de artista a Globo impôs. E eu sou testemunha, porque na minha escola foi imposto. Muitos presidentes negam essa história. Eu vi. Mas o samba mesmo... a essência não acabou.

 
 
 

Marcos dos Santos afirma ainda que “o preço de um comercial de trinta segundos é o que eles pagam para a escola, o que é uma coisa vergonhosa”. Mas alguns dirigentes acreditam na importância do contrato de concessão de imagem assinado com a Rede Globo, embora reconheçam a necessidade de redefini-lo. De acordo com Paulo Sérgio Ferreira, presidente da Escola de Samba Unidos de Vila Maria (entrevistado em abril de 2006), existe
 
 
 
 

[...] o outro lado, que não é a verba, mas, se você for contar, também é dinheiro: a divulgação. E se você fosse pagar? Você não iria pagar, também? Mais ou menos, trinta segundos na Globo são oitenta e cinco, noventa e cinco mil reais. E mesmo antes do carnaval você vê as vinhetas, você vê a divulgação do Carnaval de São Paulo. Então, eu acho que o pessoal tem que começar a olhar por esse lado. Que também custa, e não é repassado para nós. Então, de alguma maneira eles têm que tirar esse custo deles, também. E aí entra o patrocínio deles; eles vendem as cotas deles. Que é de direito também, você entendeu? Então, é isso que acopla tudo. E, também, se você for pôr no papel, nem a Liga nem as escolas teriam condições de fazer. E aí como ficaria o produto? Sem rentabilidade para os dois lados. Como é que você vai vender lá fora? Você passa para quarenta e sete países. Como é que você vai atrair turista se o turista não viu lá fora? Então é repensar na parceria; não é atirar no parceiro. É ver o que pode melhorar para ambas as partes.

 
 
 

Essas falas revelam duas visões muito comuns entre as pessoas envolvidas no carnaval paulistano. Cada um desses agentes concebe as escolas de samba e os desfiles carnavalescos de uma forma e, portanto, atribui valores diferentes à relação com a Rede Globo, com o poder público, com o mercado e com outros agentes. No segundo caso é evidente a definição dos desfiles das escolas de samba como um produto, em pleno acordo com os conteúdos do terceiro período.
 
 
 
 
 
 

Turismo
 
 

Os objetivos do poder público para o carnaval paulistano desde sua oficialização, em 1967, é transformá-lo em forte atrativo turístico da cidade. Na atualidade, essa proposta ganha força e as próprias escolas de samba passaram a ser vistas como organizações de grande potencial econômico e não apenas nos dias de carnaval. Diante disso, em 2004 foi criado o G5, um grupo formado por cinco escolas da Zona Norte – Unidos de Vila Maria, Unidos do Peruche, Mocidade Alegre, Rosas de Ouro e X-9 Paulistana – que, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), regional norte e a SPTuris, desenvolvem ações com a finalidade de fomentar o turismo receptivo em suas quadras ao longo do ano. De acordo com Camila Patrício (entrevistada em maio de 2006), coordenadora do projeto SP Samba no SEBRAE, do qual o G5 faz parte, o objetivo do grupo é transformar o atrativo, no caso as escolas de samba, em um produto turístico e incluir suas quadras nos roteiros da cidade através de parcerias com hotéis e agências de turismo. As agremiações participantes desse grupo oferecem serviços como apresentações em suas quadras ou em locais definidos pelo comprador e recepção de turistas nos ensaios ou outros eventos típicos de uma escola de samba, tal como a escolha do samba-enredo.
 
 

O objetivo inicial do projeto era o de englobar todas as escolas de samba do Grupo Especial, mas não houve interesse da Liga e tampouco do grupo de escolas. As cinco agremiações que criaram o grupo foram as únicas que demonstraram interesse pela proposta e a desenvolveram. Mas o G5 não está livre de conflitos internos e de interesses individuais por parte das escolas que o compõem.
 
 

O foco do G5, em parceria com hotéis e agências de turismo, é atrair para as escolas de samba os turistas que vêm a São Paulo a negócios ou para participar de congressos e feiras, uma vez que, na atualidade, essa é a cidade brasileira que recebe o maior fluxo de pessoas com essa finalidade. A propaganda do grupo é realizada através de várias frentes, como a divulgação nos sítios das escolas participantes e a elaboração de folhetos informativos que são distribuidos em pontos estratégicos, como agências de turismo, hotéis, feiras, congressos e outros eventos.
 
 
 
 

Paulo Sergio Ferreira, presidente da Unidos de Vila Maria (entrevistado em abril de 2006), define a importância do turista para sua escola e alerta para a forma como componentes devem tratá-lo.  Segundo ele:
 

 
 

[...] ele [componente] tem que ser educado. Eu canso de falar: quem está no camarote tem que pagar a conta de quem está embaixo do camarote. Você imagina se você consegue fazer uma rentabilidade de turista aqui na quadra. Então a comunidade tem que maltratar o turista? Tem que pôr ele pra fora? Ao contrário. Ele [componente] tem que ser educado, tratar bem, para ele [turista] trazer mais pra pagar as regalias. Porque o turista vem aqui no dia do ensaio e vai embora. A regalia fica pra quem usa o espaço. Então, deixa entrar na ala, tirar a foto. É uma cultura que ele nunca viu. Às vezes o cara vai entrar na ala e é empurrado. Então, é nessa parte que tem que ser educado. E saber a importância dos dois para a escola: um pela raiz e o outro para ajudar a pagar os custos.


 
 

A atenção ao turista está presente também no Sambódromo que, além dos camarotes que oferecem serviços especiais, possui, por iniciativa do G5, uma área, com aproximadamente quatro mil lugares, destinada a esse público: a “arquibancada do turista”, na qual são oferecidos serviços diferenciados, como recepcionistas bilíngues, apresentações de grupos de samba, passistas, e serviço de massagem; além disso, são distribuidos folhetos informativos e kits com almofada, boné e capa de chuva. Tudo isso com a finalidade de proporcionar conforto ao visitante e estimular sua volta nos anos seguintes.
 
 

A SPTuris publicou em 2006 uma pesquisa sobre o perfil turístico do carnaval paulistano realizada entre os espectadores presentes no Sambódromo nos dois dias de desfile do Grupo Especial. De acordo com a pesquisa, os turistas representam 25,65% do público, dos quais 63,39% vieram com a finalidade de assistir aos desfiles; 77,67% não estiveram presentes no carnaval 2005 e 89,01% tinham a intenção de voltar em 2007; 18,60% eram estrangeiros, dos quais 40% de origem europeia; dentre os 81,40% brasileiros 90,29% eram residentes no Estado de São Paulo (São Paulo Turismo, 2006). De acordo com as notas da SPTuris divulgadas na imprensa, nos anos seguintes houve um aumento em torno de 20% no número de turistas.
 
 

As ações do G5 e de outros agentes no sentido de desenvolver o turismo relacionado ao carnaval paulistano são pontuais e, embora o número de visitantes tenha aumentado nos últimos anos, é muito pouco significativo se comparado a outras cidades que têm no carnaval um atrativo turístico. Em dados absolutos, de acordo com a SPTuris, em 2008 estiveram no Sambódromo cerca de 30 mil turistas, num total de 105 mil pessoas, incluindo os quatro dias de desfile, com uma movimentação de R$41,5 milhões. São Luiz do Paraitinga, cidade de 10 mil habitantes, no Vale do Paraíba, recebeu 130 mil turistas, com uma movimentação de R$5 milhões (www.g1.globo.com, acesso em junho/2008). A cidade do Rio de Janeiro, por sua vez, recebeu, no mesmo período, 750 mil visitantes com uma receita de US$510 milhões (www.sindegtur.org.br, acesso em junho/2008). Internamente, o carnaval também perde, em número de turistas, para outros eventos, como Parada Gay, Fórmula I e São Paulo Fashion Week. No entanto, de acordo com Luis Salles, assessor técnico da SPTuris (entrevistado em 07/12/2006), é muito comum a vinda de turistas do interior do Estado, que não se hospedam em hotéis, o que inviabiliza o cálculo exato do número de turistas no carnaval paulistano. 
 
 
 
 

Os eventos que marcam esse terceiro período criam as condições necessárias para a reestruturação do carnaval paulistano, que ganha nova dimensão na cidade como consequência da ampliação da abrangência dos fluxos, da escala de eventos, bem como da redistribuição de alguns barracões para áreas mais próximas ao Sambódromo. Através da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (LIGA) e da União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP) as escolas tornam-se mais atuantes na organização dos desfiles, negociando com o poder público e com os demais agentes envolvidos os detalhes da produção e agindo no sentido de adequá-los aos novos conteúdos. Nesse contexto, e com a finalidade de ampliar seus negócios, as escolas procuram estruturar-se internamente com base no modelo empresarial de organização e de produção. Característica que se convencionou chamar de “profissionalização do carnaval”.
 
 
 
 
 
 
 

Ampliação da Divisão do Trabalho na Produção dos Desfiles Carnavalescos
 
 

Os novos conteúdos exigem das escolas maior organização interna e maior investimento, pois os desfiles se tornam mais luxuosos e, consequentemente, mais caros. Isso aumenta a disputa entre as agremiações que, mais fortemente inseridas no contexto econômico da cidade, passam a adotar novas estratégias de crescimento, desenvolvimento e obtenção de recursos, ganhando uma estrutura cada vez mais empresarial.
 
 
 
 

Algumas escolas adaptam-se melhor a essa nova forma de produzir a festa, obtendo recursos e contratando profissionais, estrategicamente, para as diferentes funções, havendo, inclusive, uma rotatividade de profissionais entre as agremiações. Outras, no entanto, mesmo com grande tradição no samba paulistano, não acompanham as inovações, o que se torna evidente nos dias de desfile, quando é possível notar uma grande diferença de investimento, que se revela na qualidade dos produtos utilizados e na organização dos desfiles. Isso faz com que algumas escolas, sem muita tradição no samba paulistano, mas com recursos e um desfile técnico, adaptado ao regulamento, obtenham melhores resultados em relação às tradicionais, porém menos organizadas e com menos recursos. 
 
 
 
 

A nova organização das agremiações resulta na criação de diversos postos de trabalho. Surge a necessidade de redefinir a forma de produzir o desfile com a utilização de mão-de-obra especializada nas diferentes etapas dessa produção. O que se caracteriza como uma das vertentes da chamada “profissionalização do carnaval”. No entanto, isso não reflete a totalidade do período atual, pois há uma série de escolas de samba que apresentam características semelhantes àquelas os períodos anteriores. São as escolas menores, que não têm acesso aos mesmos recursos e conteúdos das maiores e, por isso, ainda dependem, fundamentalmente, do trabalho voluntário e da utilização das casas dos componentes para produzir e armazenar fantasias e adereços e realizar suas atividades.
 
 
 
 

Essa profissionalização, característica comum entre as chamadas grandes escolas, que se traduz na reestruturação da produção dos desfiles, cria uma divisão do trabalho própria, que atende às suas necessidades no que se refere especialmente a produtos e mão-de-obra.  Analisar o desenvolvimento das escolas de samba a partir da divisão do trabalho, social e territorial (Santos, 1999) é esclarecedor, pois se trata de uma instituição que, a partir de uma receita, produz um evento de grandes proporções (o desfile carnavalesco) que pode ser entendido como seu produto final  para cuja realização são contratados trabalhadores de diferentes especialidades e envolvidas firmas de diferentes tamanhos – para contratação de serviços ou aquisição de produtos – ambos provenientes de diversos lugares e, no caso das firmas, inclusive do exterior. O desfile de uma escola de samba, por sua vez, faz parte de um evento maior, o carnaval, que amplia a escala de relações de trabalho e prestação de serviços.
 
 
 
 

Neste terceiro período de desenvolvimento do carnaval paulistano – marcado pela regulamentação, pela existência do Sambódromo e pela transmissão televisiva – é possível verificar a sobreposição de divisões do trabalho, cada qual criada num determinado momento, mas relacionando-se, na atualidade. Interessante observar que as divisões do trabalho não se distribuem entre as escolas de acordo com sua força, pois mesmo nas maiores escolas há essa sobreposição. Tanto nas pequenas como nas grandes agremiações é possível observar, por um lado, as relações de trabalho voluntário de pessoas da própria comunidade, a utilização de mão-de-obra pouco qualificada, com fornecimento de matérias-primas de pequenas firmas do próprio bairro ou de bairros vizinhos e, por outro, a utilização de mão-de-obra remunerada, qualificada ou altamente qualificada, sendo uma boa parte dela proveniente de outras cidades e mesmo de outros estados, com a utilização de produtos importados e adquiridos em grandes firmas que fornecem para todo o Brasil e para outros países. Verifica-se, portanto, a existência de diferentes formas de cooperação na produção carnavalesca. Essa situação é um reflexo do que ocorre na cidade de São Paulo, onde há a sobreposição de divisões do trabalho que convivem e se combinam. Como ensina Santos (1999) são temporalidades diversas e combinadas relacionando-se num determinado lugar.
 
 
 
 

A contratação de profissionais provenientes de diversas cidades do estado de São Paulo e de outros estados brasileiros é um bom exemplo dessa divisão territorial do trabalho no âmbito da produção carnavalesca. É comum a contratação de profissionais do Rio de Janeiro, como carnavalescos, aderecistas, costureiras, intérpretes, entre outros. Bem como a contratação de profissionais de Parintins (AM) para a construção dos carros alegóricos, os quais permanecem em São Paulo cerca de sete meses, de agosto a março, e trabalham a partir de uma técnica que chamam de “engenharia artesanal” (Fotos 1 e 2). Esses trabalhadores são especializados na construção de alegorias com movimentos – devido ao know-how desenvolvido na festa do Boi de Parintins, que, por ocorrer em junho, não compete com o carnaval na contratação da mão-de-obra – e são muito requisitados pelas escolas de samba de São Paulo e do Rio de Janeiro.
 
 
 
 

De acordo com a Liga e com a SPTuris, o carnaval paulistano gera, anualmente, cerca de vinte e cinco mil postos de trabalho diretos (Foto 3), e são diversos os profissionais que atuam na produção do desfile com algum tipo de remuneração. Cada escola do Grupo Especial gera entre cem e duzentos postos de trabalho direto nos meses próximos ao carnaval, número que varia de acordo com o tamanho da escola e com o valor investido. As relações de trabalho também variam bastante e, no geral, são baseadas em contratos informais. Mas algumas escolas mantêm trabalhadores permanentes com registro formal.


 

  Foto 1 - Barracão da Escola de Samba Unidos de Vila Maria, São Paulo – SP, 2007. Autora: Vanir Belo
  Foto 1 - Barracão da Escola de Samba Unidos de Vila Maria, São Paulo – SP, 2007. Autora: Vanir Belo

 




Foto 2 - Profissionais de Parintins trabalhando na Escola de Samba Unidos de Vila Maria – SP, 2007. Autora: Vanir Belo

Foto 2 - Profissionais de Parintins trabalhando na Escola de Samba Unidos de Vila Maria – SP, 2007. Autora: Vanir Belo




Foto 3 - Jovens trabalhando no Barracão da Escola de Samba Unidos de Vila Maria – SP, 2007. Autora: Vanir Belo

Foto 3 - Jovens trabalhando no Barracão da Escola de Samba Unidos de Vila Maria – SP, 2007. Autora: Vanir Belo




Santos (2000), analisando a produção de emprego nas diversas formas de lazer popular, chama a atenção para o fato que não são apenas as formas organizadas e burocratizadas de lazer praticadas pelas classes médias e superiores que geram trabalho. Segundo o autor “há também um lazer popular, rebelde às estatísticas, produzindo de baixo para cima, formas ingênuas de distração coletiva, provindas do exercício banal da existência, criadas na emoção e geradoras de solidariedade e de trabalho” (p. 34). Dentre as formas de lazer Santos distingue as formas puras e as formas impuras, ou mistas, mais industrializadas, nas quais inclui as escolas de samba. Mas, segundo ele, “todos são, entretanto, animados por músicas importadas e adaptadas ou por ritmos criados nos próprios lugares, representativos do povo fazendo cultura e, por isso mesmo, fazendo política” (p.34). 
 
 
 

Para a produção dos desfiles as escolas contam com a subvenção da Prefeitura e com diversos investimentos privados, como a venda do direito de imagem para a Rede Globo de Televisão; o patrocínio de empresas ou outras entidades para os enredos anuais; os patrocínios dos comerciantes e empresários locais para a manutenção da agremiação; além dos patrocínios públicos e privados para a promoção e manutenção das diversas atividades sociais desenvolvidas nas agremiações. 
 
 

A profissionalização do carnaval paulistano, a superposição das divisões do trabalho e os diversos negócios gerados a partir daí, caracterizam-se como elementos marcantes do período atual. E embora por um lado contribuam para geração de emprego, renda, além da formação de diferentes profissionais, por outro, como em todos os setores produtivos, criam um mercado de profissionais e empresas que são rotativos. Para alguns essa situação descaracteriza o carnaval como manifestação cultural, pois a produção artesanal, típica dos períodos anteriores, invocava o amor pela agremiação, o que muito pouco, ao menos nas grandes escolas, se verifica na atualidade. Todavia, essas inovações na forma de produzir os desfiles não se difundiram de forma homogênea entre as agremiações carnavalescas.
 
 
 
 
 
 

O Desfile
 
 

Todas essas inovações são voltadas para a realização dos desfiles carnavalescos, o momento maior das escolas de samba, e o concurso do qual sairá a grande campeã do carnaval. Para tanto, faz-se necessário o desenvolvimento de uma logística que movimenta grande número de pessoas desde a concentração na quadra da escola até o retorno a ela após o desfile. 
 
 

Para transportar os componentes, as escolas de samba contam com ônibus cedidos pela Prefeitura. São os ônibus das empresas que realizam diariamente o transporte coletivo na capital, os quais se dirigem até a quadra ou ao local de onde sairá a ala, levam os componentes ao local de desfile e, após a apresentação, de volta ao local de origem (Foto 4). Nesse caso, apesar das distâncias, a viagem é no geral muito animada, pois os componentes estão se dirigindo para uma passarela com a finalidade de participar da realização do momento máximo de sua escola de samba, o desfile carnavalesco, quando a agremiação leva a público o resultado de um ano de trabalho, pois, embora muitas pessoas presentes não tenham participado de todas as etapas de produção desse evento e o desfile oficial seja o momento de maior nervosismo e tensão de todo o processo, a emoção está presente e o sentimento é contagiante.
 
 
 
 
 

A chegada do comboio de ônibus das escolas de samba ao Parque Anhembi é sempre bastante tumultuada devido ao grande fluxo de veículos na região, próxima à Marginal Tietê, importante via de acesso às rodovias que ligam São Paulo ao interior e ao litoral norte do estado.  Apenas os veículos diretamente ligados à produção do evento são permitidos na Avenida Olavo Fontoura que dá acesso ao Sambódromo. Os ônibus do comboio têm permissão para entrar nessa avenida e logo em seguida na grande área de estacionamento do Pavilhão das Exposições, no interior do qual são orientados por pessoas da organização do evento sobre onde devem estacionar para que os integrantes das escolas possam descer e iniciar o processo de montagem das alas (Foto 5), processo de certa forma facilitado uma vez que os comboios já partem das quadras organizados dessa forma, ou seja, cada carro transporta os integrantes de uma ala específica e seguem, ao menos em tese, na seqüência em que formarão a escola na avenida. No entanto, há de se levar em consideração que o deslocamento até o Sambódromo muitas vezes acaba com essa ordem, porém na medida do possível há essa tentativa.

Continua 
COMO CITAR
RA/On-line desde julho de 2009.
link para o portal da USP