[...] acabou de desfigurar
o carnaval. Não que eu seja purista, mas você vai assistir
o desfile de uma escola de samba [na televisão] eles pegam metade
da coreografia da Comissão de Frente e daí... Mulher pelada.
[o que segundo ele havia muito pouco antes do início das transmissões]
E também não tinha artista. Aliás, tinha. Nós
éramos os artistas. A gente perdeu essa condição.
Nós não somos mais, somos apenas coadjuvantes. Não
sei se você sabe que esse negócio de artista a Globo impôs.
E eu sou testemunha, porque na minha escola foi imposto. Muitos presidentes
negam essa história. Eu vi. Mas o samba mesmo... a essência
não acabou.
Marcos dos Santos afirma ainda que
“o preço de um comercial de trinta segundos é o que eles
pagam para a escola, o que é uma coisa vergonhosa”. Mas alguns dirigentes
acreditam na importância do contrato de concessão de imagem
assinado com a Rede Globo, embora reconheçam a necessidade de redefini-lo.
De acordo com Paulo Sérgio Ferreira, presidente da Escola de Samba
Unidos de Vila Maria (entrevistado em abril de 2006), existe
[...] o outro lado, que
não é a verba, mas, se você for contar, também
é dinheiro: a divulgação. E se você fosse pagar?
Você não iria pagar, também? Mais ou menos, trinta
segundos na Globo são oitenta e cinco, noventa e cinco mil reais.
E mesmo antes do carnaval você vê as vinhetas, você vê
a divulgação do Carnaval de São Paulo. Então,
eu acho que o pessoal tem que começar a olhar por esse lado. Que
também custa, e não é repassado para nós. Então,
de alguma maneira eles têm que tirar esse custo deles, também.
E aí entra o patrocínio deles; eles vendem as cotas deles.
Que é de direito também, você entendeu? Então,
é isso que acopla tudo. E, também, se você for pôr
no papel, nem a Liga nem as escolas teriam condições de fazer.
E aí como ficaria o produto? Sem rentabilidade para os dois lados.
Como é que você vai vender lá fora? Você passa
para quarenta e sete países. Como é que você vai atrair
turista se o turista não viu lá fora? Então é
repensar na parceria; não é atirar no parceiro. É
ver o que pode melhorar para ambas as partes.
Essas falas revelam duas visões
muito comuns entre as pessoas envolvidas no carnaval paulistano. Cada um
desses agentes concebe as escolas de samba e os desfiles carnavalescos
de uma forma e, portanto, atribui valores diferentes à relação
com a Rede Globo, com o poder público, com o mercado e com outros
agentes. No segundo caso é evidente a definição dos
desfiles das escolas de samba como um produto, em pleno acordo com os conteúdos
do terceiro período.
Turismo
Os objetivos do poder público
para o carnaval paulistano desde sua oficialização, em 1967,
é transformá-lo em forte atrativo turístico da cidade.
Na atualidade, essa proposta ganha força e as próprias escolas
de samba passaram a ser vistas como organizações de grande
potencial econômico e não apenas nos dias de carnaval. Diante
disso, em 2004 foi criado o G5, um grupo formado por cinco escolas da Zona
Norte – Unidos de Vila Maria, Unidos do Peruche, Mocidade Alegre, Rosas
de Ouro e X-9 Paulistana – que, em parceria com o Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), regional norte e
a SPTuris, desenvolvem ações com a finalidade de fomentar
o turismo receptivo em suas quadras ao longo do ano. De acordo com Camila
Patrício (entrevistada em maio de 2006), coordenadora do projeto
SP Samba no SEBRAE, do qual o G5 faz parte, o objetivo do grupo é
transformar o atrativo, no caso as escolas de samba, em um produto turístico
e incluir suas quadras nos roteiros da cidade através de parcerias
com hotéis e agências de turismo. As agremiações
participantes desse grupo oferecem serviços como apresentações
em suas quadras ou em locais definidos pelo comprador e recepção
de turistas nos ensaios ou outros eventos típicos de uma escola
de samba, tal como a escolha do samba-enredo.
O objetivo inicial do projeto era
o de englobar todas as escolas de samba do Grupo Especial, mas não
houve interesse da Liga e tampouco do grupo de escolas. As cinco agremiações
que criaram o grupo foram as únicas que demonstraram interesse pela
proposta e a desenvolveram. Mas o G5 não está livre de conflitos
internos e de interesses individuais por parte das escolas que o compõem.
O foco do G5, em parceria com hotéis
e agências de turismo, é atrair para as escolas de samba os
turistas que vêm a São Paulo a negócios ou para participar
de congressos e feiras, uma vez que, na atualidade, essa é a cidade
brasileira que recebe o maior fluxo de pessoas com essa finalidade. A propaganda
do grupo é realizada através de várias frentes, como
a divulgação nos sítios das escolas participantes
e a elaboração de folhetos informativos que são distribuidos
em pontos estratégicos, como agências de turismo, hotéis,
feiras, congressos e outros eventos.
Paulo Sergio Ferreira, presidente
da Unidos de Vila Maria (entrevistado em abril de 2006), define a importância
do turista para sua escola e alerta para a forma como componentes devem
tratá-lo. Segundo ele:
[...] ele [componente] tem que ser
educado. Eu canso de falar: quem está no camarote tem que pagar
a conta de quem está embaixo do camarote. Você imagina se
você consegue fazer uma rentabilidade de turista aqui na quadra.
Então a comunidade tem que maltratar o turista? Tem que pôr
ele pra fora? Ao contrário. Ele [componente] tem que ser educado,
tratar bem, para ele [turista] trazer mais pra pagar as regalias. Porque
o turista vem aqui no dia do ensaio e vai embora. A regalia fica pra quem
usa o espaço. Então, deixa entrar na ala, tirar a foto. É
uma cultura que ele nunca viu. Às vezes o cara vai entrar na ala
e é empurrado. Então, é nessa parte que tem que ser
educado. E saber a importância dos dois para a escola: um pela raiz
e o outro para ajudar a pagar os custos.
A atenção ao turista
está presente também no Sambódromo que, além
dos camarotes que oferecem serviços especiais, possui, por iniciativa
do G5, uma área, com aproximadamente quatro mil lugares, destinada
a esse público: a “arquibancada do turista”, na qual são
oferecidos serviços diferenciados, como recepcionistas bilíngues,
apresentações de grupos de samba, passistas, e serviço
de massagem; além disso, são distribuidos folhetos informativos
e kits com almofada, boné e capa de chuva. Tudo isso com a finalidade
de proporcionar conforto ao visitante e estimular sua volta nos anos seguintes.
A SPTuris publicou em 2006 uma pesquisa
sobre o perfil turístico do carnaval paulistano realizada entre
os espectadores presentes no Sambódromo nos dois dias de desfile
do Grupo Especial. De acordo com a pesquisa, os turistas representam 25,65%
do público, dos quais 63,39% vieram com a finalidade de assistir
aos desfiles; 77,67% não estiveram presentes no carnaval 2005 e
89,01% tinham a intenção de voltar em 2007; 18,60% eram estrangeiros,
dos quais 40% de origem europeia; dentre os 81,40% brasileiros 90,29% eram
residentes no Estado de São Paulo (São Paulo Turismo, 2006).
De acordo com as notas da SPTuris divulgadas na imprensa, nos anos seguintes
houve um aumento em torno de 20% no número de turistas.
As ações do G5 e de
outros agentes no sentido de desenvolver o turismo relacionado ao carnaval
paulistano são pontuais e, embora o número de visitantes
tenha aumentado nos últimos anos, é muito pouco significativo
se comparado a outras cidades que têm no carnaval um atrativo turístico.
Em dados absolutos, de acordo com a SPTuris, em 2008 estiveram no Sambódromo
cerca de 30 mil turistas, num total de 105 mil pessoas, incluindo os quatro
dias de desfile, com uma movimentação de R$41,5 milhões.
São Luiz do Paraitinga, cidade de 10 mil habitantes, no Vale do
Paraíba, recebeu 130 mil turistas, com uma movimentação
de R$5 milhões (www.g1.globo.com, acesso em junho/2008). A cidade
do Rio de Janeiro, por sua vez, recebeu, no mesmo período, 750 mil
visitantes com uma receita de US$510 milhões (www.sindegtur.org.br,
acesso em junho/2008). Internamente, o carnaval também perde, em
número de turistas, para outros eventos, como Parada Gay, Fórmula
I e São Paulo Fashion Week. No entanto, de acordo com Luis Salles,
assessor técnico da SPTuris (entrevistado em 07/12/2006), é
muito comum a vinda de turistas do interior do Estado, que não se
hospedam em hotéis, o que inviabiliza o cálculo exato do
número de turistas no carnaval paulistano.
Os eventos que marcam esse terceiro
período criam as condições necessárias para
a reestruturação do carnaval paulistano, que ganha nova dimensão
na cidade como consequência da ampliação da abrangência
dos fluxos, da escala de eventos, bem como da redistribuição
de alguns barracões para áreas mais próximas ao Sambódromo.
Através da Liga Independente das Escolas de Samba de São
Paulo (LIGA) e da União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP)
as escolas tornam-se mais atuantes na organização dos desfiles,
negociando com o poder público e com os demais agentes envolvidos
os detalhes da produção e agindo no sentido de adequá-los
aos novos conteúdos. Nesse contexto, e com a finalidade de ampliar
seus negócios, as escolas procuram estruturar-se internamente com
base no modelo empresarial de organização e de produção.
Característica que se convencionou chamar de “profissionalização
do carnaval”.
Ampliação da Divisão
do Trabalho na Produção dos Desfiles Carnavalescos
Os novos conteúdos exigem
das escolas maior organização interna e maior investimento,
pois os desfiles se tornam mais luxuosos e, consequentemente, mais caros.
Isso aumenta a disputa entre as agremiações que, mais fortemente
inseridas no contexto econômico da cidade, passam a adotar novas
estratégias de crescimento, desenvolvimento e obtenção
de recursos, ganhando uma estrutura cada vez mais empresarial.
Algumas escolas adaptam-se melhor
a essa nova forma de produzir a festa, obtendo recursos e contratando profissionais,
estrategicamente, para as diferentes funções, havendo, inclusive,
uma rotatividade de profissionais entre as agremiações. Outras,
no entanto, mesmo com grande tradição no samba paulistano,
não acompanham as inovações, o que se torna evidente
nos dias de desfile, quando é possível notar uma grande diferença
de investimento, que se revela na qualidade dos produtos utilizados e na
organização dos desfiles. Isso faz com que algumas escolas,
sem muita tradição no samba paulistano, mas com recursos
e um desfile técnico, adaptado ao regulamento, obtenham melhores
resultados em relação às tradicionais, porém
menos organizadas e com menos recursos.
A nova organização
das agremiações resulta na criação de diversos
postos de trabalho. Surge a necessidade de redefinir a forma de produzir
o desfile com a utilização de mão-de-obra especializada
nas diferentes etapas dessa produção. O que se caracteriza
como uma das vertentes da chamada “profissionalização do
carnaval”. No entanto, isso não reflete a totalidade do período
atual, pois há uma série de escolas de samba que apresentam
características semelhantes àquelas os períodos anteriores.
São as escolas menores, que não têm acesso aos mesmos
recursos e conteúdos das maiores e, por isso, ainda dependem, fundamentalmente,
do trabalho voluntário e da utilização das casas dos
componentes para produzir e armazenar fantasias e adereços e realizar
suas atividades.
Essa profissionalização,
característica comum entre as chamadas grandes escolas, que se traduz
na reestruturação da produção dos desfiles,
cria uma divisão do trabalho própria, que atende às
suas necessidades no que se refere especialmente a produtos e mão-de-obra.
Analisar o desenvolvimento das escolas de samba a partir da divisão
do trabalho, social e territorial (Santos, 1999) é esclarecedor,
pois se trata de uma instituição que, a partir de uma receita,
produz um evento de grandes proporções (o desfile carnavalesco)
que pode ser entendido como seu produto final para cuja realização
são contratados trabalhadores de diferentes especialidades e envolvidas
firmas de diferentes tamanhos – para contratação de serviços
ou aquisição de produtos – ambos provenientes de diversos
lugares e, no caso das firmas, inclusive do exterior. O desfile de uma
escola de samba, por sua vez, faz parte de um evento maior, o carnaval,
que amplia a escala de relações de trabalho e prestação
de serviços.
Neste terceiro período de
desenvolvimento do carnaval paulistano – marcado pela regulamentação,
pela existência do Sambódromo e pela transmissão televisiva
– é possível verificar a sobreposição de divisões
do trabalho, cada qual criada num determinado momento, mas relacionando-se,
na atualidade. Interessante observar que as divisões do trabalho
não se distribuem entre as escolas de acordo com sua força,
pois mesmo nas maiores escolas há essa sobreposição.
Tanto nas pequenas como nas grandes agremiações é
possível observar, por um lado, as relações de trabalho
voluntário de pessoas da própria comunidade, a utilização
de mão-de-obra pouco qualificada, com fornecimento de matérias-primas
de pequenas firmas do próprio bairro ou de bairros vizinhos e, por
outro, a utilização de mão-de-obra remunerada, qualificada
ou altamente qualificada, sendo uma boa parte dela proveniente de outras
cidades e mesmo de outros estados, com a utilização de produtos
importados e adquiridos em grandes firmas que fornecem para todo o Brasil
e para outros países. Verifica-se, portanto, a existência
de diferentes formas de cooperação na produção
carnavalesca. Essa situação é um reflexo do que ocorre
na cidade de São Paulo, onde há a sobreposição
de divisões do trabalho que convivem e se combinam. Como ensina
Santos (1999) são temporalidades diversas e combinadas relacionando-se
num determinado lugar.
A contratação de profissionais
provenientes de diversas cidades do estado de São Paulo e de outros
estados brasileiros é um bom exemplo dessa divisão territorial
do trabalho no âmbito da produção carnavalesca. É
comum a contratação de profissionais do Rio de Janeiro, como
carnavalescos, aderecistas, costureiras, intérpretes, entre outros.
Bem como a contratação de profissionais de Parintins (AM)
para a construção dos carros alegóricos, os quais
permanecem em São Paulo cerca de sete meses, de agosto a março,
e trabalham a partir de uma técnica que chamam de “engenharia artesanal”
(Fotos 1 e 2). Esses trabalhadores são especializados na construção
de alegorias com movimentos – devido ao know-how desenvolvido na festa
do Boi de Parintins, que, por ocorrer em junho, não compete com
o carnaval na contratação da mão-de-obra – e são
muito requisitados pelas escolas de samba de São Paulo e do Rio
de Janeiro.
De acordo com a Liga e com a SPTuris,
o carnaval paulistano gera, anualmente, cerca de vinte e cinco mil postos
de trabalho diretos (Foto 3), e são diversos os profissionais que
atuam na produção do desfile com algum tipo de remuneração.
Cada escola do Grupo Especial gera entre cem e duzentos postos de trabalho
direto nos meses próximos ao carnaval, número que varia de
acordo com o tamanho da escola e com o valor investido. As relações
de trabalho também variam bastante e, no geral, são baseadas
em contratos informais. Mas algumas escolas mantêm trabalhadores
permanentes com registro formal.
Foto 1 - Barracão da Escola de Samba Unidos de Vila Maria, São Paulo – SP, 2007. Autora: Vanir Belo

Foto 2 - Profissionais de Parintins trabalhando na Escola de Samba Unidos de Vila Maria – SP, 2007. Autora: Vanir Belo

Foto 3 - Jovens trabalhando no Barracão da Escola de Samba Unidos de Vila Maria – SP, 2007. Autora: Vanir Belo
Santos (2000), analisando a produção
de emprego nas diversas formas de lazer popular, chama a atenção
para o fato que não são apenas as formas organizadas e burocratizadas
de lazer praticadas pelas classes médias e superiores que geram
trabalho. Segundo o autor “há também um lazer popular, rebelde
às estatísticas, produzindo de baixo para cima, formas ingênuas
de distração coletiva, provindas do exercício banal
da existência, criadas na emoção e geradoras de solidariedade
e de trabalho” (p. 34). Dentre as formas de lazer Santos distingue as formas
puras e as formas impuras, ou mistas, mais industrializadas, nas quais
inclui as escolas de samba. Mas, segundo ele, “todos são, entretanto,
animados por músicas importadas e adaptadas ou por ritmos criados
nos próprios lugares, representativos do povo fazendo cultura e,
por isso mesmo, fazendo política” (p.34).
Para a produção dos
desfiles as escolas contam com a subvenção da Prefeitura
e com diversos investimentos privados, como a venda do direito de imagem
para a Rede Globo de Televisão; o patrocínio de empresas
ou outras entidades para os enredos anuais; os patrocínios dos comerciantes
e empresários locais para a manutenção da agremiação;
além dos patrocínios públicos e privados para a promoção
e manutenção das diversas atividades sociais desenvolvidas
nas agremiações.
A profissionalização
do carnaval paulistano, a superposição das divisões
do trabalho e os diversos negócios gerados a partir daí,
caracterizam-se como elementos marcantes do período atual. E embora
por um lado contribuam para geração de emprego, renda, além
da formação de diferentes profissionais, por outro, como
em todos os setores produtivos, criam um mercado de profissionais e empresas
que são rotativos. Para alguns essa situação descaracteriza
o carnaval como manifestação cultural, pois a produção
artesanal, típica dos períodos anteriores, invocava o amor
pela agremiação, o que muito pouco, ao menos nas grandes
escolas, se verifica na atualidade. Todavia, essas inovações
na forma de produzir os desfiles não se difundiram de forma homogênea
entre as agremiações carnavalescas.
O Desfile
Todas essas inovações
são voltadas para a realização dos desfiles carnavalescos,
o momento maior das escolas de samba, e o concurso do qual sairá
a grande campeã do carnaval. Para tanto, faz-se necessário
o desenvolvimento de uma logística que movimenta grande número
de pessoas desde a concentração na quadra da escola até
o retorno a ela após o desfile.
Para transportar os componentes,
as escolas de samba contam com ônibus cedidos pela Prefeitura. São
os ônibus das empresas que realizam diariamente o transporte coletivo
na capital, os quais se dirigem até a quadra ou ao local de onde
sairá a ala, levam os componentes ao local de desfile e, após
a apresentação, de volta ao local de origem (Foto 4). Nesse
caso, apesar das distâncias, a viagem é no geral muito animada,
pois os componentes estão se dirigindo para uma passarela com a
finalidade de participar da realização do momento máximo
de sua escola de samba, o desfile carnavalesco, quando a agremiação
leva a público o resultado de um ano de trabalho, pois, embora muitas
pessoas presentes não tenham participado de todas as etapas de produção
desse evento e o desfile oficial seja o momento de maior nervosismo e tensão
de todo o processo, a emoção está presente e o sentimento
é contagiante.
A chegada do comboio de ônibus
das escolas de samba ao Parque Anhembi é sempre bastante tumultuada
devido ao grande fluxo de veículos na região, próxima
à Marginal Tietê, importante via de acesso às rodovias
que ligam São Paulo ao interior e ao litoral norte do estado.
Apenas os veículos diretamente ligados à produção
do evento são permitidos na Avenida Olavo Fontoura que dá
acesso ao Sambódromo. Os ônibus do comboio têm permissão
para entrar nessa avenida e logo em seguida na grande área de estacionamento
do Pavilhão das Exposições, no interior do qual são
orientados por pessoas da organização do evento sobre onde
devem estacionar para que os integrantes das escolas possam descer e iniciar
o processo de montagem das alas (Foto 5), processo de certa forma facilitado
uma vez que os comboios já partem das quadras organizados dessa
forma, ou seja, cada carro transporta os integrantes de uma ala específica
e seguem, ao menos em tese, na seqüência em que formarão
a escola na avenida. No entanto, há de se levar em consideração
que o deslocamento até o Sambódromo muitas vezes acaba com
essa ordem, porém na medida do possível há essa tentativa.