PONTO URBE - Revista do Núcleo de Antropologia Urbana da USP- ISSN 1981-3341Ano 3 versão 4.0, julho de 2009 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 


 
  Cir-kula
 
 


Componente da ala das baianas da E.S. Unidos de Vila Maria, se preparando para o desfile ainda no estacionamento do Parque Anhembi.

Foto 4
- Componente da ala das baianas da E.S. Unidos de Vila Maria, se preparando para o desfile ainda no estacionamento do Parque Anhembi. SP, 2007. Autora: Vanir Belo





A realização dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, subvencionados pela Prefeitura, baseados em regulamentos rigorosos, realizados no Sambódromo mediante cobrança de ingressos   e transmitidos ao vivo pela televisão para diversos países, caracteriza-se como um espetáculo, um produto.E, como tal, exige essa logística, pois é necessário que tudo corra de acordo com o planejamento, não sendo admitida nenhuma possibilidade de erro.

 

Diferentemente do que ocorre no Sambódromo, os desfiles nos bairros não se realizam em locais definitivos, podendo mudar de um ano para outro de acordo com o interesse da administração local (Subprefeitura) vigente. Em 2009 os desfiles ocorreram na Vila Esperança (Zona Leste), no Butantã (Zona Oeste) e em Interlagos (Zona Sul) (Fotos 9 a 11). Mas já ocorreram desfiles na Cidade Tiradentes, em Itaquera e na Vila Prudente (Zona Leste), na Vila Maria e em Pirituba (Zona Norte), na Cidade Ademar (Zona Sul) entre outros. Em todos os casos a passarela é montada em alguma avenida importante do bairro; com exceção de Interlagos onde é montada no Autódromo. Este fato provoca transtornos como, por exemplo, a restrição do número de espectadores, o que não ocorre nas passarelas de rua, pois mesmo que as arquibancadas estejam lotadas – quando há arquibancadas – é possível acompanhar os desfiles.
 
 
 

 

  Foto 9 - Público espectador aguarda desfile em passarela no Autódromo de Interlagos - Carnaval de 2008, São Paulo – SP. Fonte: Centro de Documentação e Memória do Samba.


 

Foto 10 - Público espectador aguarda desfile em passarela no Butantã. Carnaval de 2008, São Paulo – SP. Fonte:Centro de Documentação e Memória do Samba.




   

Foto 11
- Público espectador aguarda desfile em passarela na Vila Esperança. Carnaval de 2007, São Paulo – SP. Fonte: Centro de Documentação e Memória do Samba.

 
 

As passarelas nos bairros têm um ar mais lúdico, em especial para os espectadores que têm acesso gratuito e uma maior possibilidade de circulação, mas todo o processo organizacional é muito semelhante ao que ocorre no Sambódromo; mesmo porque as escolas também participam de um concurso com apoio da Prefeitura, regulamentos e critérios de julgamento. E as primeiras colocadas ascenderão ao grupo superior, ao passo que as últimas colocadas descerão para o grupo inferior. Diante disso, embora apresentem desfiles mais simples, no que se refere à riqueza e à grandiosidade das fantasias e dos carros alegóricos, muitas vezes demonstrando claramente a falta de recursos, o rigor se faz presente.
 
 

Toda essa dinâmica, necessária à realização da festa na atualidade, gera uma série de críticas por parte de alguns sambistas, em especial da “velha guarda”, e de estudiosos que afirmam haver uma supervalorização do desfile em detrimento do carnaval propriamente dito, uma vez que o desfile é confinado e os componentes das escolas são impedidos de permanecer no local após sua apresentação., Assim, são obrigados a voltar imediatamente para a quadra da escola de onde, no geral, se dispersam, rapidamente, a menos que assumam o papel de espectadores e se dirijam à área reservada para estes.
 
 

Boa parte da velha guarda, no entanto, mesmo tomada por um sentimento de nostalgia e com críticas ao que se faz na atualidade, permanece na escola, empenhando-se para seu sucesso. E a cada ano aumenta o número de jovens nas escolas de samba, os quais, por não terem vivenciado o carnaval do passado, adaptam-se facilmente ao novo modelo. E, mesmo submetidos a uma série de regras, têm o desfile como a grande festa que proporciona momentos de prazer e emoção e que não se reduz ao espetáculo e às transmissões televisivas. Em especial para aqueles que vivenciam o processo ao longo do ano.
 
 


 
 

O Bairro
 

O vínculo de algumas escolas de samba com o bairro onde se originaram ainda é muito forte. Muitas delas, independentemente de seu tamanho, necessitam, largamente, das relações ali presentes, embora sua comunidade – as pessoas diretamente envolvidas com a escola – em muitos casos extrapole os limites do bairro e – inclusive - da cidade. Mas isso não é exclusividade das escolas de samba, pois, como afirma Seabra 



[...] na metrópole, as identidades estão sendo libertadas dos enraizamentos territoriais dos quais o bairro foi, na história urbana, o nível mais elementar. Por isso, os pertencimentos tendem a ser eletivos, fundados em auto-reconhecimentos. As identidades são mobilizadas para outras esferas da vida e de outras escalas portadoras de outros conteúdos (2000, p.17):.


 

No caso de algumas escolas de samba, as relações se dão no bairro, mas a identidade e o sentimento de pertencimento são dados pela própria agremiação, reforçados, ou não, por laços de vizinhança. O que se aproxima daquilo que Magnani (2002) chama de “pedaço”, ou seja, o segmento do espaço no qual as pessoas têm relação de pertencimento e de reconhecimento, a qual seria formada por dois elementos básicos: um de ordem física (território demarcado) e outro de ordem social (simbólico, rede de relações). Nessa concepção, o “pedaço” pode ser a própria quadra da escola de samba ou o local onde suas atividades se dão.
 



As escolas de samba originadas de torcidas organizadas, por exemplo, praticamente não mantêm vínculos de pertencimento com o bairro onde se localizam. É o caso da Escola de Samba Gaviões da Fiel, cujo elo fundamental é o Sport Club Corinthians Paulista, embora possua grande estrutura em sua sede, no bairro do Bom Retiro, onde se localizam a quadra, o barracão e um centro social e esportivo. E como torcida organizada que é possui, ainda, subssedes em diferentes cidades, com setenta mil associados pagantes. Características que a diferenciam absolutamente das escolas que não têm sua origem vinculada a uma torcida de futebol. Esses e outros fatores levaram a uma tentativa, sem sucesso, no interior da Liga, de criar um grupo separado de escolas esportivas. 
 



Já a Escola de Samba Unidos de Vila Maria conta com uma comunidade de bairro muito presente, evidenciando relações de parentesco e vicinato. Tem forte atuação social e muitas parcerias com empresários e comerciantes, não apenas do distrito de Vila Maria, mas, também, de distritos vizinhos como Vila Medeiros e Vila Guilherme, além de uma relação muito próxima com a Subprefeitura. Como afirma Seu Le vil, presidente da Velha Guarda da Unidos de Vila Maria (entrevistado em junho de 2002):
 
 
 

[...] o que cooperou muito com o carnaval da Vila Maria, com a história, tudo, foi a comunidade, os empresários, os pequenos lojistas. Todo mundo cooperou.

 

Seu Irineu (membro da Velha Guarda da Unidos de Vila Maria (entrevistado em junho de 2002) chama a atenção sobre a importância do bairro para a escola e seu reconhecimento em relação a isso, referindo-se ao samba-exaltação.
 

[...] Você pode ver que todas as escolas têm um hino, mas ninguém fala do bairro deles (...). Mas nós falamos do nosso bairro. Esse é o nosso samba:

Vila Maria é um bairro de tradição.
Vila Maria, você mora no meu coração,
Foi lá que eu me criei e aprendi a batucar
Quanta saudade que eu sinto de você 
Oh! Minha Vila Maria 
Eu não posso te esquecer.


 

É comum as escolas de samba, mesmo aquelas que possuem quadra, realizarem ensaios nas ruas dos bairros com a finalidade de vivenciar uma situação com características mais próximas daquelas que encontrarão na passarela oficial, o que o formato da quadra não permite. Isso, por sua vez, contribui para a manutenção de um vínculo mais próximo com os moradores e com o seu lugar, o que ainda é muito importante para o sucesso da escola.



Apesar das rígidas características do desfile na atualidade, algumas escolas também desfilam em seus bairros após cumprirem sua obrigação na passarela oficial, em especial aquelas que ainda mantém forte ligação com o seu lugar de origem. Em muitos casos, isso  é algo predeterminado, fazendo parte do calendário da agremiação. Como  é o caso da Escola de Samba Unidos de Vila Maria, que desfila na Praça Santo Eduardo e na Avenida Guilherme Cotching, e da Escola de Samba Unidos do Peruche, que desfila na Rua Zilda.
 


O desfile no bairro é um momento de grande descontração e, embora não conte com os carros alegóricos utilizados no Sambódromo, são carregados de beleza e muita animação. Márcio M. Marcelino, diretor cultural da Unidos do Peruche (entrevistado em dezembro de 2007) afirma:
 



[...] é o desfile para a comunidade, na Rua Zilda. Isso acontece todo ano; e isso é uma cobrança da comunidade. E "ai" se não acontece! E é legal, porque você consegue matar um pouco da melancolia do Carnaval. Porque você vê as pessoas com liberdade. Não tem aquela coisa do nervosismo da avenida; é o samba pelo samba. Isso não tem competição.
 
 

 
A Escola de Samba Unidos do Peruche, no entanto, é um exemplo de entidade que não possui quadra no bairro de origem e, portanto, os moradores do bairro, que compõem boa parte dos componentes da escola, buscam nele lugares alternativos para realizar suas ações cada vez mais desvinculadas da escola. Além disso, no distrito de Casa Verde há outras agremiações, como as escolas de samba Morro da Casa Verde e Império de Casa Verde, esta última exercendo forte atração sobre os moradores por ser grande, luxuosa, ter sido bicampeã nos carnavais de 2005 e 2006 e por ter a possibilidade de doar fantasias. Nas palavras de Waldir Romero, diretor social da Unidos do Peruche (entrevistado em janeiro de 2008):




[...] a Peruche é daqui do bairro, mas foi lá para a Ponte do Limão. Mas as pessoas conseguem ir facilmente para a quadra? É longe. Tem ônibus? É difícil. Tem dinheiro para pagar o ônibus? É complicado. Então há uma ruptura, há um corte dessa relação.
 
 
 
 

De todo modo, esses exemplos comprovam que, mesmo entre as grandes escolas, ainda se verifica  a continuidade da manifestação nas ruas dos bairros. Independentemente da existência do Sambódromo e das transmissões da Rede Globo de Televisão e ainda que de forma residual, pois, apesar da imposição externa de formas e valores relacionados à realização do desfile carnavalesco, as relações criadas no lugar, possibilitadas pela contigüidade e pelos laços de vizinhança, se fortalecem, criando a necessidade de reproduzir a manifestação no bairro. Isso evidencia outra territorialidade e a existência de horizontalidades, ou seja, de uma rede de relações criadas no cotidiano e fortemente ligadas ao lugar. E, como afirma Santos (1999, p. 228), “as forças oriundas do local, das horizontalidades, se antepõem às tendências meramente verticalizantes”. Mas trata-se da manifestação renovada, não cabendo a comparação simples com o que se verificava no primeiro quartel do século XX, bem como não pode ser analisada fora do contexto de adaptação à cidade em crescimento.
 
 
 
 

As Ações Socioculturais
 
 

O carnaval das escolas de samba na cidade de São Paulo apresenta-se como um espetáculo da indústria cultural. Mas é, também, uma festa popular, produto de uma comunidade unida em torno de um objetivo: a produção do carnaval em todas as suas minúcias. De modo geral, as escolas de samba desempenham diversas funções para sua comunidade e reconfiguram, de certa forma, o lugar onde se localizam, além de fomentar uma série de relações sociais em suas atividades cotidianas. Ou seja, as inovações que por um lado alteraram a estrutura organizacional e produtiva das escolas, por outro, criaram novas possibilidades no que se refere à atuação e às relações das comunidades em suas agremiações. Como afirma Bosi :

 




[...] a exploração, o uso abusivo que a cultura de massa faz das manifestações populares, não foi ainda capaz de interromper para todo sempre o dinamismo lento, mas seguro e poderoso da vida arcaico-popular, que se reproduz quase organicamente em microescalas, no interior da comunidade, apoiada pela socialização do parentesco, do vicinato e dos grupos religiosos (1992, p. 329).
 
 


 
Embora o foco das entidades seja a produção dos desfiles carnavalescos, é possível observar a tomada de consciência, por parte alguns dirigentes e componentes, da importância social e cultural dessas agremiações e, como consequência surge uma preocupação em utilizá-las, também, com a finalidade de desenvolver ações no sentido de suprir as necessidades mais imediatas da comunidade. O conjunto dessas ações é o chamado trabalho social desenvolvido nas escolas de samba, o qual pode ocorrer de diversas formas
 



As ações em si não são uma novidade do período atual, pois já nas décadas de 1980 as escolas desenvolviam ações assistencialistas, tais como a distribuição de cestas básicas, campanhas com a finalidade de obter recursos ou objetos que seriam revertidos ou doados à comunidade, médico, dentista entre outras coisas. Essas ações permanecem e vêm adquirindo força, o que por um lado é muito interessante, em especial no que se refere àquelas voltadas à área da saúde, uma vez que existe uma parcela significativa da população que não tem acesso universal a esse serviço; mas, por outro lado, essas ações não têm força alguma no sentido de alterar a situação geradora do problema. 
 



A novidade do período reside no conteúdo das novas ações desenvolvidas no sentido de promover a formação e a geração de renda para a comunidade e, dessa forma, criar possibilidades de superação do problema. A nova estrutura das escolas de samba – quadra, barracão, equipamentos internos, recursos financeiros – embora atenda aos interesses da indústria cultural, uma vez que se estabelece para a produção do desfile transmitido pela televisão, cria condições para que a comunidade a utilize como meio de inserção e de superação da escassez a que é submetida. Multiplicam-se os trabalhos desenvolvidos com a finalidade de atender suas necessidades, preenchendo, de alguma forma, as lacunas deixadas pelo poder público que, mais atento aos interesses hegemônicos e do mercado, desampara a grande massa da população, pois o desenvolvimento da cidade de São Paulo não levou à superação da desigualdade e da pobreza; pelo contrário, as intensificou.

 
 


Nesse contexto desenvolvem-se diferentes projetos de fomento à cultura e ao lazer, formação e capacitação profissional, geração de trabalho e renda, atendimento à saúde, assessoria jurídica, entre outros. Vale lembrar que algumas dessas atividades têm relação direta com a produção do carnaval como, por exemplo, os cursos profissionalizantes que visam atender a este mercado. Mas essas ações não se realizam em todas as escolas de samba e, devido ao maior acesso aos recursos materiais, são as maiores escolas que realizam as ações mais abrangentes.
 
 

Além de atender às necessidades da comunidade, contudo, essas ações são desenvolvidas com a finalidade de melhorar a imagem das agremiações ante sua comunidade, a população do bairro e a sociedade paulistana de modo geral. Pois, apesar das inovações e do desenvolvimento das agremiações carnavalescas, muitos vizinhos ainda as vêem, em especial as menores, como entidades pouco familiares frequentadas por pessoas de índole duvidosa. Além disso, as ações sociais são vistas como diferenciais no momento da obtenção de patrocínios, pois os possíveis patrocinadores, seja através do tema do enredo ou da Lei Rouanet, optam por associar sua marca a uma instituição notadamente idônea que ofereça uma contrapartida à sociedade.
 
 

A partir da análise das ações realizadas nas escolas de samba é possível classificá-las em dois grupos: 
 

• ações externas,  que se originam a partir de instituições que buscam a parceria das escolas de samba para efetivar seus projetos de atendimento social, mesmo que o curso oferecido seja definido pela agremiação; 
• ações internas, que se originam nas escolas de samba que, por sua vez, também buscam parcerias externas, em especial para a obtenção de recursos financeiros.

 

Em alguns casos, devido à carência de equipamentos culturais e de lazer, a própria existência da escola de samba, seja grande ou pequena, se caracteriza como ação social, pois oferece aos moradores opções de lazer e entretenimento. Mas as escolas maiores, que contam com uma quadra e pessoas trabalhando, exclusivamente, na elaboração e no desenvolvimento desses projetos, desenvolvem ações mais abrangentes e em maior número.
 
 

Para compreender as ações das escolas de samba nos bairros e ter uma noção da totalidade, foram analisadas três entidades de diferentes tamanhos e localizadas em diferentes pontos da cidade. São elas: Unidos de Vila Maria, Príncipe Negro da Cidade Tiradentes e Paineiras do Sapopemba. Mas, como lembra Arroyo (1996, p. 79), sem perder de vista o fato que a totalidade não é “homogênea ou uniforme; ao contrário, ela se compõe de especificidades, de complexidades, de conflitos tanto das estruturas quanto das formas. A totalidade sem contradições é vazia e inerte; sua concreticidade está determinada pelas contradições”.

 
 
 


Unidos de Vila Maria
 

Fundada em 1954, a Escola de Samba Unidos de Vila Maria esteve presente durante todo o tempo no carnaval paulistano. Mas devido a uma série de problemas relacionados à má administração e por uma incapacidade de adaptação às imposições decorrentes da oficialização em 1967, passou longo período fora do grupo de elite, circulando entre os grupos intermediários. Entre 1974 e 1998 a agremiação enfrentou uma fase de grandes dificuldades e circulou entre os grupos II e III chegando a desfilar no grupo IV em 1993. No ano de 1997 corria o risco de deixar de existir, pois faltava pouco tempo para o carnaval e nada estava pronto. Diante da situação, um grupo de pessoas envolvidas ou interessadas na escola de samba, montou a escola às pressas, com material reciclado e muito improviso. Para a surpresa de todos, a escola ficou em terceiro lugar do Grupo II, o que estimulou a permanência daquelas pessoas e deu grande alento à comunidade. Em 1998 a escola foi campeã do Grupo II, passando para o então grupo I A. Daí em diante, a escola passa a viver uma fase de grande ascensão e no ano de 2002 já está de volta ao grupo de elite do carnaval paulistano, o Grupo Especial, de onde não mais saiu e passou a obter bons resultados, embora ainda não tenha sido campeã.

Continuar

COMO CITAR
RA/On-line desde julho de 2009.
link para o portal da USP