A antropologia urbana pergunta o que acontece com as relações humanas, os sentidos e os pertencimentos quando eles se desenrolam em escala, em densidade e sob reinvenção constante. Enquanto a antropologia clássica muitas vezes viajava para longe de casa para estudar comunidades distantes, antropólogos urbanos frequentemente trabalham a poucos passos da própria porta — em terminais de ônibus, bancas de mercado, salões paroquiais e escadarias de prédios.
O campo tomou forma em meados do século XX, à medida que cidades em todo o mundo absorviam migração rural, crescimento industrial e desigualdade acelerada. Pesquisadores perceberam que as ferramentas da etnografia — imersão de longo prazo, observação participante, atenção à prática cotidiana — serviam tão bem a um conjunto habitacional quanto a uma aldeia.
O que distingue a antropologia urbana da sociologia ou da geografia urbanas é menos o objeto do que o método: um compromisso com o trabalho de campo lento e situado, que deixa as categorias emergirem da experiência vivida em vez de serem impostas de cima. Uma cidade nunca é estudada de uma só vez; ela é estudada rua por rua, relação por relação, instituição por instituição.
Este blog existe para tornar esse método visível. Nos textos que seguem, percorreremos bairros, mercados, sistemas de transporte e arquivos, sempre voltando à mesma pergunta de fundo: qual é a cara da cidade vista de dentro?